segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Custo logístico elevado

Os fatores que atrapalham os investimentos estão cada dia mais visíveis no Brasil. O volume de recursos mobilizados pelas empresas e pelo governo, em máquinas, equipamentos e construções, neste ano, deverá se nivelar aos resultados obtidos em 2011, depois do crescimento anual de 6,4%,verificado entre 2009 e 2011.
Assim, do ponto de vista econômico, o ano em curso é anunciado como nulo. Analistas econômicos estão atribuindo as previsões do frágil crescimento econômico às incertezas decorrentes do tripé da política macroeconômica, em vigor desde 1999, baseado no sistema de metas de inflação, regime de câmbio flutuante e execução fiscal compatível com a sustentabilidade da dívida.
O País, não há dúvida, enfrenta barreiras intransponíveis para queimar etapas no seu processo de desenvolvimento. Entre elas, a falha regulação tributária, a infraestrutura insuficiente, a alta carga fiscal, a ineficiência da burocracia, o atraso da legislação trabalhista, a formação inadequada da mão de obra e o difícil acesso ao financiamento.
O Fórum Econômico Mundial divulgou levantamento promovido sobre a situação brasileira, reconhecendo como atuantes esses fatores mencionados. Ou seja: a acuidade externa percebeu o universo de problemas, há muito tempo, denunciado e reclamado pelo empresariado nacional.
Razões há de sobra para a superação desses impedimentos ao crescimento dos negócios no País. O diagnóstico é antigo, os pleitos se sucedem, mas falta ação executiva capaz de removê-los. A redução nos custos da produção perpassa por mudanças na sistemática de cobrança do ICMS, nos encargos portuários e na ampliação do acesso à malha ferroviária no Sudeste, Sul e Nordeste.
A Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, estudou os custos logísticos no País. Sua conclusão básica mostra que esse fator, por si só, já compromete 13% das receitas das empresas. O levantamento para a montagem desse painel de despesas operacionais alcançou 123 empresas de diversos setores, representando 20% do Produto Interno Bruto (PIB).
A pesquisa concluiu também: quanto maior o custo logístico, menor é a margem de lucro das empresas, pois, nem sempre elas têm condições de repassar para o preço final o aumento decorrente desse item. Enquanto o custo logístico no Brasil corresponde a 12% do PIB, nos Estados Unidos da América ele não supera 8%. Se a logística brasileira tivesse o mesmo desempenho da americana, o País teria uma economia de R$ 83,2 bilhões por ano.
Na consulta às empresas sobre as principais razões para o aumento dessa despesa obrigatória, aparecem, claramente, as estradas em má conservação, as restrições de cargas e descargas nos grandes centros urbanos, os entraves burocráticos e a falta de concorrência de modais de transportes. Os gastos com infraestrutura minam, ainda, a capacidade de reinvestimentos das empresas industriais e são transferidos para o consumidor.
Os setores mais afetados pelo peso da logística são os de bens de capital, construção civil, mineração, siderurgia e metalurgia, produção agropecuária e bens de consumo. O transporte de longa distância é o que mais contribui para a elevação do índice de custo.
O estudo da fundação mineira aponta como saída, indicada por 70% das empresas consultadas: melhores estradas e a integração das ferrovias com outros meios de transportes. A logística é um sério desafio, cuja solução exige urgente planejamento governamental.
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1202689

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A longa e brutal jornada até um porto no Brasil


RONDONÓPOLIS, Mato Grosso - Quando o jovem caminhoneiro Marcondes Mendonça inicia a viagem para transportar milho do Centro-Oeste do Brasil até o distante porto de Santos, ele reza para ser protegido dos buracos nas estradas e dos motoristas alucinados, e pensa com terror nos lamentáveis banheiros que precisará encarar nos sete dias de viagem.

Ele também se prepara para outros inconvenientes: congestionamentos, atrasos no porto e uma burocracia que cada vez mais atrapalha o fluxo de bens e serviços no maior país da América Latina.

O gargalo da infraestrutura é um dos maiores desafios enfrentados pelo Brasil, sexta maior economia mundial e um dos celeiros do mundo, com chances de desbancar na temporada 2012/13 os EUA como maior produtor mundial de soja.

Neste contexto de aumento de produção e logística deficitária, os transportadores avaliam que o preço do frete rodoviário deve crescer cerca de 30 por cento. A escassez de caminhoneiros e uma nova lei que determina períodos mínimos de descanso para esses profissionais também colaborarão para o aumento dos custos na nova safra, já que o tempo de viagem crescerá.

Para ver o problema de perto, um repórter e um fotógrafo da Reuters pegaram carona com Mendonça numa viagem recente. O caminhoneiro de 27 anos, pai de dois filhos e fã de música sertaneja, trabalha para uma cooperativa de frete e faz bico como instrutor para futuros colegas.

"Que Deus nos proteja", disse ele, com a voz impondo-se a um chiado do freio a ar do seu veículo.

A reportagem seguiu com o veículo por 1.600 dos 2.100 quilômetros da viagem, percorrendo muito asfalto danificado, lembranças de acidentes mortais e refúgios noturnos com espaço para um último caminhão.

A viagem começou em Mato Grosso e atravessou outros dois Estados até chegar ao porto de Santos (SP). Nesse percurso, Mendonça enfrentou condições conhecidas dos caminhoneiros de qualquer lugar --longas jornadas de trabalho, solidão, comida ruim.

Mas a viagem também deixou claro como a ineficiência atrapalha a ambição brasileira de se tornar um fornecedor ainda mais importante de alimentos para o mundo.

O custo do frete nessa viagem representou quase 40 por cento do valor pelo qual a carga de 37 toneladas de milho foi negociada em Santos. Para percorrer uma distância semelhante nos EUA, principalmente sobre barcaças, o custo seria de apenas 10 por cento do valor da carga.

O transporte de produtos no Brasil também pode demorar o triplo do que numa distância semelhante na China, país que tem usado seu sucesso econômico para investir pesadamente em estradas, ferrovias e portos.

"A logística está congestionada", disse Glauber Silveira, produtor de Mato Grosso, presidente da associação dos sojicultores do Brasil, que perdem um quarto do seu faturamento com o transporte. "O comprador está perdendo, e o produtor está perdendo."

Com um território vasto, abundância de água e fazendas de alta tecnologia no interior, o Brasil é atualmente o maior produtor mundial de açúcar, café e suco de laranja, além de liderar a exportação de carne bovina e de frango e estar prestes a se tornar o maior em soja.

Mas a vantagem que o Brasil costumava ter em termos de custo está sucumbindo ao preço do transporte. O frete da fazenda ao porto já custa no Brasil mais do que o dobro do frete marítimo até a China, e essa relação está crescendo rapidamente por causa do pagamento de melhores salários para os caminhoneiros e da entrada em vigor de uma lei que exige um descanso mínimo para eles.

Por causa dessa elevação de custos, os negociantes de produtos agrícolas estão sendo obrigados a pagar mais pela soja brasileira só para garantir a continuidade das lavouras. Caso os preços se aproximem demais do custo, isso "irá desincentivar seriamente a produção brasileira", segundo Kona Haque, analista do Macquarie Bank.

A presidente Dilma Rousseff divulgou recentemente planos para atrair 66 bilhões de dólares em investimentos privados para estradas, ferrovias e outras instalações. A carência de infraestrutura causa não só um aumento nos custos, como também gera temores de que o Brasil possa não estar preparado para receber a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, dois eventos que deveriam servir de vitrine para a ascensão do país.

FORA DOS TRILHOS

Da cabine do caminhão Scania de Mendonça, descortina-se uma visão privilegiada do abismo que separa as ambições de primeiro mundo do Brasil das condições bem mais modestas da vida real.

A Reuters embarcou nessa jornada numa tarde de segunda-feira em Rondonópolis, entreposto logístico no sul de Mato Grosso. A essa altura, Mendonça já havia passado três dias em viagem até uma cidade, mais ao norte, onde lotou suas duas carretas com milho.

De Rondonópolis, ele seguiu para o sul. Rosários de contas pendem do espelho retrovisor, acompanhando cada balanço do caminhão.

Três horas depois da partida, o caminhão chegou a Alto Araguaia, onde a jornada de Mendonça já poderia terminar. Lá a empresa América Latina Logística opera uma ligação ferroviária direta até Santos.

Cada trem da companhia, com 80 vagões, pode transportar o equivalente a 230 caminhões articulados como o de Mendonça, mas consumindo o mesmo diesel que apenas 40 carretas. No entanto, a demanda elevada depois da safra faz com que os trens fiquem lotados, e os preços não compensam muito, segundo produtores.

Além disso, o trem leva o mesmo tempo, pois demora muito para ser carregado nas várias paradas do percurso e para descer a serra do Mar, logo antes de chegar ao porto.

A rede ferroviária brasileira, de 29 mil quilômetros, é menor atualmente do que há 90 anos. Como parte do seu projeto de infraestrutura, o governo Dilma está investindo 22,4 bilhões de reais para construir duas novas ferrovias importantes para atender ao cinturão agrícola. Uma delas será no sentido norte-sul, e a outra, no eixo leste-oeste.

Empresas de commodities dizem que há urgência nessas obras. Numa pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral junto a 126 empresas que geram mais de um quarto do PIB brasileiro, a principal sugestão para a redução do custo do frete é a construção de mais ferrovias.

Os economistas têm dificuldades para quantificar o impacto da infraestrutura precária sobre a economia, mas concordam que as limitações na rede de transportes e a saturação dos portos impedem a economia de crescer consistentemente acima de 4 por cento ao ano, taxa que a maioria dos economistas considera que seria necessária para que o Brasil alcançasse o status de nação desenvolvida.

A maioria dos novos projetos ferroviários ainda está a pelo menos cinco anos da conclusão.

NA BOLEIA

E assim Mendonça seguiu viagem. Antes da meia-noite, ele parou num posto com área de descanso. Mendonça dormiu num colchão no fundo da cabine. Repórter e fotógrafo se viraram com um banco e uma rede.

Na terça-feira, o veículo chegou à divisa com Mato Grosso do Sul. O voo de um tucano e um bando de emas quebravam a monotonia da paisagem plana e marrom dos campos na entressafra.

Mendonça contava sua história para ajudar as horas a passarem. Nascido no vizinho Goiás, ele é filho e irmão de caminhoneiros. Ávido por aprender, ele guiava os caminhões dos clientes pelo pátio da borracharia do seu tio. "Eu tinha a permissão deles", ressaltou.

Em 2006, mudou-se para Rondonópolis e começou a trabalhar, ganhando cerca de 3.000 reais por mês. Engordou 24 quilos no primeiro ano que passou ao volante. Casou-se. O trabalho é constante, mas as transportadoras têm dificuldades para encontrar novos motoristas. Com o desemprego próximo do seu menor nível histórico no Brasil, os trabalhadores encontram muitas outras oportunidades em profissões menos cansativas.

"Não há banheiros nem áreas de descanso decentes, e a poeira está por todo lado", queixou-se o caminhoneiro Aguinaldo da Silva Tenório, de 28 anos, numa parada do trajeto. Ao seu lado viajam sua mulher, sua filha de três anos e um filho de um mês. Levá-los consigo foi "a única opção" para poder ficar com a família.

Os caminhoneiros também se queixam dos perigos --roubos ocasionais e estradas ruins e congestionadas.

Viajando pelo Mato Grosso do Sul, Mendonça apontou o local onde um motorista bêbado bateu o seu caminhão, num acidente que matou a namorada do condutor do carro.

Com frequência, os motivos de maior preocupação dos motoristas são seus próprios colegas. Na pressa de chegar ao porto --muitos são pagos por frete--, os caminhoneiros fazem ultrapassagens imprudentes. Muitos também usam cocaína e "rebite", uma droga derivada de anfetaminas, para se manterem acordados.

"Quando você está sonolento, resolve, mas você pode acabar causando uma grande confusão", diz o caminhoneiro Ademir Pereira, de 36 anos, que admitiu ter usado "rebite" uma vez. Mendonça diz que nunca consome drogas para ficar acordado.

OLHOS ABERTOS

Mais de 1.200 caminhoneiros morreram no ano passado em rodovias federais, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal. Para reduzir o consumo de drogas ao volante e diminuir o número de vítimas, o governo recentemente determinou pela primeira vez um período mínimo de descanso para os caminhoneiros.

Motoristas contratados por empresas, que são a maioria, agora devem passar no máximo oito horas por dia ao volante. Para os autônomos, a jornada pode chegar a 13 horas.

Na terça-feira à noite, Mendonça dormiu em outra área de descanso. Ao meio-dia de quarta, ele parou em um restaurante já no norte do Estado de São Paulo.

Lá, uma funcionária elogiou a nova lei.

"Antes, a gente via os caminhoneiros entrando aqui com os olhos quase fechados", disse Nilda Pereira Alves Pinto, que opera o aparelho de radioamador do restaurante, promovendo suas porções de arroz e feijão para os motoristas nos arredores. "Agora eles não ficam mais com tanta pressa."

Poucos discordam dos motivos da lei, mas alguns se queixam de que está mais difícil cumprir prazos, e que os custos aumentaram. "Se não nos deixarem dirigir durante a noite, não haverá caminhões suficientes", disse o caminhoneiro autônomo Marcelo Galbati, que esperava o conserto de um pneu.

Os planos de Dilma incluem o prolongamento de uma rodovia até um terminal fluvial no rio Tapajós, afluente do Amazonas. Apesar de ter alguns dos maiores rios do mundo, o Brasil realiza pouco transporte fluvial de cargas.

Essa nova ligação oferecerá, a partir de 2014, uma redução de 900 quilômetros no trajeto até o Atlântico, mas a capacidade das barcaças ficará limitada por causa da pequena profundidade dos rios.

Na noite de quarta-feira, a reportagem passou por fora de São Paulo, maior cidade da América do Sul, e o tráfego ficou mais pesado à medida que caminhões de todo o Brasil se afunilavam nas duas rodovias que dão acesso a Santos, a cerca de 80 quilômetros da capital paulista.

A falta de áreas de descanso ficou dolorosamente clara. Mendonça pagou um pedágio de 150 reais, mas precisou dar uma volta e pagar de novo depois de descobrir que todas as áreas de descanso estavam cheias. Ele já havia ultrapassado a jornada de trabalho máxima, mas não tinha onde parar.

Às 2h, quando o caminhão descia a serra em meio à Mata Atlântica, um acidente paralisou a rodovia. Uma hora depois, o veículo chegou a uma parada de descanso.

"A coisa está feia", disse uma atendente, acenando para que Mendonça tentasse a sorte buscando uma vaga para estacionar, após 20 horas ao volante.

Na manhã de quinta-feira, Mendonça esperava autorização para seguir até o terminal portuário, a 20 quilômetros dali, onde a trading norte-americana de commodities Archer Daniels Midland Co. recebe os caminhões com grãos, para então despachar o produto em navios graneleiros.

O porto é famoso por sua burocracia, e não dá conta do crescente volume de carga que recebe. Só depois das 16h o terminal ficou disponível para Mendonça. A essa altura, porém, descarregar significaria ir embora do porto bem tarde, e novamente enfrentar dificuldades para achar uma área de repouso. Por isso, Mendonça decidiu dormir na área de espera do terminal.

Só na manhã de sexta-feira, quase uma semana depois de deixar Rondonópolis, Mendonça conseguiu finalmente levar o caminhão para uma plataforma e descarregá-lo, a poucos metros dos navios que iam sendo enchidos com grãos com destino a outros continentes.

O valor da carga de 37 toneladas: 10.200 dólares. O custo do frete: 3.800 dólares.

(Fonte: Reuters/Por Peter Murphy/Com reportagem adicional de Brian Winter em São Paulo)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Transporte fluvial comprometido devido ao baixo nível do Rio Madeira em Porto Velho


Portal Ponta do Abunã
As balsas que transportam combustível de Manaus, AM, para Rondônia, Acre e norte do Mato Grosso viajam com 60% da carga devido ao baixo nível do Rio Madeira em Porto Velho. A profundidade em alguns pontos do rio não atinge os três metros em virtude do longo período de estiagem na região. A alternativa encontrada pelos revendedores de combustível foi buscar o produto via terrestre em São Paulo, fator que aumenta o valor para o consumidor. A Marinha e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) já mapearam 32 pontos críticos de navegação.
De acordo com Volmir Ramos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Devirados de Petróleo e Lubrificantes do Estado de Rondônia (Sindipetro-RO), o transporte via terreste deixa o frete mais caro e eleva o valor para o consumidor. “Certamente encarece, porque já tivemos um repasse de R$ 0,10 na gasolina para os revendedores e para o consumidor houve um repasse de R$ 0,05”, afirma Volmir.
Paulo César Machado, capitão de portos da Amazônia Ocidental, explica que neste ano a seca está mais rigorosa. “Os pontos críticos estão mais assoreados. Os navegantes reclamam e temos comprovado em virtude do maior número de encalhes que os pontos críticos estão bem mais difíceis", alerta o capitão.
Pelo Rio Madeira são transportados por ano três bilhões de litros de combustível e cinco toneladas de outros produtos, principalmente soja. A existência de vários bancos de areia e troncos de árvores tornam o transporte mais difícil também para mais de 40 mil pessoas por ano.
Manoel Torquato de Souza, piloto fluvial há mais de 30 anos, comenta a dificuldade da navegação: "É preciso conhecer o rio. Mesmo assim, todos os anos a praia aparece em um lugar diferente. Esse ano está desse lado, no outro está no meio, depois do outro lado. Mas nós localizamos",  diz o piloto.

Reciclagem de lixo eletrônico, o e-lixo, é oportunidade de mercado

50 milhões de toneladas de resíduos são jogadas fora ao ano no mundo. No Brasil, empresas encontraram na reciclagem oportunidade de mercado.

 
O lixo eletrônico, também conhecido como e-lixo, é gerado pelas constantes mudanças tecnológicas dos computadores e celulares. Cerca de 50 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos são jogadas fora, todos os anos, pela população do mundo. No Brasil, algumas empresas encontraram na reciclagem de aparelhos descartados uma boa oportunidade de mercado.
Hoje existe mais de um celular por brasileiro. Toda hora surgem modelos novos, toda hora as pessoas estão trocando os aparelhos. Mas o que fazer com os velhos e ultrapassados? E não só celulares. TVs, sons, computadores que a gente não quer mais. A solução é o descarte correto e a reciclagem dos eletrônicos. Um lixo que vale dinheiro.
Computadores velhos, TVs e celulares descartados. Quando os aparelhos eletrônicos ficam obsoletos, o empresário Marcus Oliveira entra em cena, recolhe e trata o lixo eletrônico das empresas.
“Hoje, só no Brasil, a gente tem mais de um aparelho celular para cada habitante. E além dos computadores, eletrônicos, tudo isso mais, a cada dia vai sendo muito mais rápido descartado. E vai gerando um volume muito grande”, afirma o empresário.
O negócio ganhou impulso com uma lei do governo federal de 2010, que obriga as empresas a cuidar do lixo eletrônico, para não contaminar o meio ambiente. A lei estabelece que o consumidor deve devolver os produtos usados nos mesmos lugares da compra. E as lojas que comercializam os produtos são obrigadas a levá-los ao centro de triagem mais próximo.
“A lei é a Política Nacional dos Resíduos Sólidos que institui diretrizes de como se destinar corretamente todo tipo de resíduos sólidos no Brasil, entre eles, é citado na lei o resíduo eletroeletrônico. Ela traz oportunidades para o negócio porque imputa sobre fabricantes, importadores e grandes empresas, ou todo tipo de empresa, a responsabilidade de destinar corretamente os seus resíduos eletroeletrônicos”, explica Ronilson Rodrigues Freitas, da Associação Brasileira de Reciclagem.
A empresa de Oliveira cobra a partir de R$ 0,40 por quilo de material recolhido. Se for para rastrear e destruir arquivos, esse valor pode chegar a mais de R$ 2 por quilo.
Segundo o empresário, com R$ 50 mil dá para montar uma pequena empresa de recolhimento de lixo eletrônico. O valor é para a estrutura física do negócio e para obter a licença ambiental de funcionamento.
“Tem oportunidades para os novos pequenos empresários que podem investir num negócio de manufatura reversa de equipamentos eletrônicos e a gente pode inclusive, dar todo o apoio para essa empresa. De quer forma? Adquirindo deles placas eletrônicas, por exemplo, que são fonte de receita”, revela Oliveira.
Na empresa, o lixo eletrônico é desmontado a mão, peça por peça. Depois, separado por categoria. Metais, plásticos, baterias. Eles são entregues para empresas especializadas em reciclagem ou descarte.
Parte do lixo vale dinheiro. É o caso das placas eletrônicas de computadores. Elas contem 17 tipos de metais. Alguns dá para ver fácil. Tem o cobre, o alumínio, o ouro - uma camada bem fininha. Em uma caixa, por exemplo, há mais de 30 gramas de ouro.
Marcus vende as placas eletrônicas para empresas na Europa, que extraem os metais.
As carcaças plásticas dos eletrônicos são vendidas para uma empresa nacional de reciclagem, e viram mais um negócio. São 230 toneladas por mês de resíduos plásticos.
“Acredito que faça muita diferença para o meio ambiente, porque imagina só um resíduo industrial, indo para um aterro, os aterros todos superlotados, incineração também, muito difícil encontrar, custo muito caro, acredito que 230 toneladas que a empresa faça hoje têm um retorno bem significativo ao meio ambiente”, diz Eduardo Roberto Golçalves, da empresa de reciclagem.
Os clientes querem matéria-prima com qualidade de nova e preço de velha. Para isso, o essencial é não misturar plásticos variados. Entra em cena uma mão de obra diferente: um especialista em cheiros.
“Raspando, a gente sente o odor do material. Esse aqui é poliestireno. Esse é outro tipo de plástico é ABS. É usado na parte de eletrônicos”, explica Rafael Batista, classificador de plástico.

O plástico separado é moído e depois limpo de resíduos. Quanto mais puro, maior o valor. É uma caça às impurezas. Ela passa um imã pelo plástico triturado em busca aos corpos estranhos. “É muita coisa. 50 quilos por dia.”
O plástico segue para a próxima etapa, em um equipamento chamado estrusora. É conhecida como máquina de fazer macarrão. Ela é bem barulhenta. Derrete o plástico e solta em fios tipo espaguete, em temperatura de 300 graus. Depois, mergulha na água e corre por uma banheira comprida, onde o material esfria e endurece.
A secagem ocorre em vassouras improvisadas e vai para o granulador, de onde sai o macarrão, em forma de grãos. Depois é só embalar e vender. Depois do processo, o lixo de plástico vale R$ 4 o quilo e é muito disputado pelo mercado.
O granulado é vendido para outra empresa onde, finalmente, o lixo plástico volta a ser produto.
Ele é derretido e transformado em peças de comunicação visual: acabamento para banners e cabos de bandeira. Com a matéria-prima reciclada mais barata, os produtos custam até 50% menos que os feitos de material virgem.
“É para empresa que quer comprar mais barato. E beneficia nós também, os empresários, porque nós temos também um custo menor. Dá para ter uma margem sim, mas beneficia tanto um quanto o outro”, relata a empresária Vanda Guerra.
O mercado de reciclados é crescente. Por ano, o Brasil gera mais de três quilos de lixo eletrônico por habitante. Agora, a lei força a redução dessa quantidade e surgem as oportunidades de negocio.
“Nós não paramos de comprar eletroeletrônicos. Qualquer consumidor não para de comprar. Quantos mais compramos, mais esse mercado vai ter. A gente une os 2 mercados do futuro: informática e sustentabilidade, unidos num mercado só. Então esse mercado é crescente e duradouro”, diz Freitas, da associação de reciclagem

Insuficiência de silos nas regiões produtoras gera filas de caminhões nos terminais graneleiros



Silos ambulantes: 
fila de caminhões para descarregar
 açúcar no Porto de Santos, em 2010.
 (Foto: Alex Almeida/Uol)
O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, chamou a atenção na última semana para o problema de desembarque no transporte a granel nos portos, que gera filas e atrapalha a produtividade de todo o setor e a exportação dos produtos.
De acordo com ele, os caminhões precisam esperar no mínimo dois dias para poder descarregar produtos como soja, açúcar e milho, sendo que a espera prevista na Lei 11.442/07 para carga e descarga do veículo é de até cinco horas. Após esse período, o embarcador terá que pagar o valor de R$ 1 por tonelada a cada hora de atraso para a empresa ou caminhoneiro autônomo.
Na contra-mão do diagnóstico do presidente da EPL, os transportadores rodoviários de cargas – empresas e autônomos – apontam os embarcadores e respectiva política de silagem como os vilões dessa história.
O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), Claudinei Pelegrini, reclamou que a demora acaba sendo atribuída ao caminhoneiro e que a lei da descarga não é cumprida pelas empresas.
“Os grandes despachantes, que mandam mercadoria pra fora do país e utilizam os caminhões para chegar até os portos, usam as carretas para ser um depósito e não querem pagar a estadia do caminhão.”
A prática de utilização de caminhões como silos é bastante utilizada desde 2003, quando houve a primeira grande quebra de produção da soja, aumentando de forma significativa a demanda pelo produto. Como os embarcadores não investem em silos, nas regiões produtoras, transformam os caminhões em silos ambulantes.
Logo, esse não é um problema portuário, como afirma o presidente da EPL, mas um problema de silagem e regularização de fluxo dos produtos para os portos.
Portos de Santos e Paranaguá
Quilômetros extensos de fila de caminhões à espera para desembarcar produtos é uma realidade sazonal no Porto de Paranaguá. Pelegrini afirma que durante toda a época da safra de soja, o porto chega a ter filas de até 30 Km e demora cerca quatro a seis dias para atender todos os caminhões.
Outro momento pontual de pico de demanda nesses portos é relativo ao açúcar. Recente quebra de safra de países produtores gerou uma demanda gigantesca pelo produto brasileiro. A necessidade internacional era tanta que os armadores preferiam enviar seus navios para ficar vinte, trinta dias esperando sua vez em Paranaguá e Santos, do que perde-la.
O presidente da NTC&Logística, Flávio Benatti, concorda que, atualmente, Paranaguá é o porto que se encontra em situação mais delicada com relação a grande tempo de espera, seguido pelo Porto de Santos. “Recentemente a fila de descarga em Paranaguá chegou quase em Curitiba”, disse.
Benatti também chama a atenção para os produtores de grãos que, durante o período de safra, lotam caminhões e atrapalham as atividades nos portos, transformando-os em depósitos.
“Os silos para armazenagem nos portos não deve servir de espaço para depósito, ele deve ser feito na origem, e conforme há demanda, o produto deve ser transportado para o porto. Evitando assim que os portos se tornem estoque de produtos”, disse.
Mais uma vez, os transportadores rodoviários de cargas – empresas e autônomos – mostram que o problema não está no porto, mas na necessária silagem nas áreas de produção. Em nenhum lugar do mundo os terminais portuários são dimensionados para atender os momentos de pico sem algum tipo de regulação do fluxo de trens, barcaças e caminhões.
Figueiredo acredita que reverter esse quadro poderá gerar ganhos de produtividade e se comprometeu a pensar em soluções para melhorar os gargalos logísticos do país. “A EPL tem como finalidade intervir na infraestrutura e pensá-la de forma integrada nas rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.”
Entretanto, o presidente da EPL ainda não disse como vai atuar em cima desse problema da silagem, que é vital para solucionar esse quadro de exploração dos caminhoneiros, transformando-os em silos ambulantes, gerando filas, esperas e baixa qualidade de vida para os motoristas.
Enquanto esse problema for tratado como problema dos terminais portuários, não haverá solução, como indicam os dirigentes do setor do transporte rodoviário de cargas.

Rodovias federais terão placas em inglês e espanhol

As rodovias federais brasileiras receberão, em 2013, placas em inglês e espanhol. A ação faz parte do Programa Nacional de Segurança e Sinalização Rodoviária (BR-Legal), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

O objetivo é atender as necessidades de adaptação do país para receber a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Assim, as primeiras placas irão para as doze cidades-sede da Copa e, em seguida, para as cidades que já contam com representativa movimentação turística. O DNIT também pretende ampliar a sinalização com a implantação de mais sinalizadores reflexivos e sonorizadores nas estradas.

De acordo com o órgão, uma licitação estimada em R$ 4 bilhões deve ter início no próximo mês.

Fonte: Transporta Brasil

Três empresas paranaenses darão largada à criação do polo offshore


Duas empresas de Curitiba e outra do Litoral, interessadas em parte das áreas ociosas do Porto de Antonina, podem dar a largada necessária à criação do polo offshore do terminal – junto com a ida da Techint.

A Vetor Tecnologia e a Mathias Engenharia, empresas com escritório em Curitiba que hoje atuam na área metal mecânica e na construção de tanques para armazenamento líquido e sólido, querem formar um nova empresa, a Paraná Offshore Solutions. 

A intenção, segundo o sócio-proprietário Lauro Mathias Neto, é transferir a operação existente na unidade fabril de São José dos Pinhais, na região metropolitana, e ampliá-la. “Também queremos aumentar nosso leque de atividades, oferecendo serviços de manutenção e reparos navais e o desenvolvimento de equipamentos para a atividade offshore. O litoral do Paraná não tem nada parecido hoje. Nenhum navio faz escala aqui para reparos ou melhoramentos”, explica Mathias Neto.

Com o Estudo de Viabi­­­lidade Técnica e Econômica (EVTE) realizado e apresentado à Appa, eles aguardam o parecer do órgão estadual para também pedir a autorização da Antaq. Para os planos da empresa, serão necessários 32 mil metros quadrados dentro do terminal Barão de Teffé. “Como o arrendamento tem validade de 25 anos, temos um plano em três fases, com a construção de 2 mil metros quadrados de fábrica em cada uma e a geração inicial de 80 empregos diretos”. Mathias Neto estima que a partir da autorização da Antaq e das licenças ambientais do IAP seja possível instalar a unidade em seis meses.

Outra empresa interessada em quebrar a monotonia de Antonina é a Interportos. A empresa atuava nas operações de transbordo de cargas entre Paranaguá e Antonina, mas acabou inativa com o fim da demanda por esse transporte.

Agora, com o novo zoneamento do porto e a dragagem de manutenção em perspectiva, quer voltar à ativa, mas apostando também na montagem de um estaleiro na área privada que possui ao lado do terminal público de Barão do Teffé, de 100 mil metros quadrados. “É um espaço com 250 metros de frente para a baía, onde pretendemos montar um estaleiro para reparo naval de embarcações de apoio portuário, de porte médio. Pelo escopo do projeto, estimamos um investimento entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões e a geração de cerca de 250 empregos diretos”, diz Cassiano René Souza Ennes, diretor da Interportos.

Segundo ele, o processo de licenciamento ambiental, pelo Ibama, já está em andamento. “Nossa ideia é não só atender o mercado local, que carece de serviços de manutenção e reparo, mas também atrair embarcações de regiões próximas, como São Paulo e Santa Catarina.”

Fonte: Gazeta do Povo (PR)